Planejamento financeiro ajuda o comércio a começar o ano com mais previsibilidade
Tributos, reajustes e dívidas do fim de ano se concentram no início do calendário; especialista aponta cinco estratégias para atravessar o período com mais fôlego financeiro
.
Janeiro é historicamente um dos meses mais desafiadores para o orçamento das famílias e, por consequência, para o fluxo de caixa do comércio. A combinação de impostos obrigatórios, reajustes contratuais e despesas concentradas no início do ano cria um cenário de pressão financeira que impacta diretamente o consumo e a previsibilidade dos negócios.
.
IPVA, material escolar, mensalidades reajustadas e gastos remanescentes das festas de fim de ano chegam praticamente ao mesmo tempo, muitas vezes antes de haver espaço para reorganizar o caixa. Soma-se a isso o maior uso de crédito e parcelamentos em dezembro, que reduz a liquidez disponível logo no começo do ano.
.
Do ponto de vista econômico, o cenário é conhecido. Estados e municípios concentram a cobrança de tributos como IPVA e IPTU no início do calendário fiscal. Setores como educação, transporte e serviços aplicam reajustes anuais nesse período, movimento que costuma pressionar os índices inflacionários, conforme séries históricas do IPCA, do IBGE. Paralelamente, a carga tributária brasileira gira em torno de 33% do PIB, segundo a Receita Federal, ampliando o peso das obrigações fixas.
.
Para o economista e educador financeiro Leonardo Baldez Augusto, especialista em planejamento financeiro o impacto é previsível e recorrente.
.
Segundo Baldez, existe uma relação direta entre o acúmulo de despesas de janeiro e o aumento da inadimplência no primeiro trimestre.
.
Quem termina o ano endividado entra no mês mais caro com margem mínima para absorver tributos e reajustes. Isso cria um efeito dominó que se prolonga nos meses seguintes, explica.
.
Consórcio como ferramenta de organização
.
Em um ambiente de juros elevados e menor capacidade de poupança, o consórcio tem ganhado espaço como alternativa de planejamento financeiro. Com mais de 10 milhões de participantes ativos no país, segundo a ABAC, o modelo funciona como uma poupança disciplinada, baseada em parcelas previsíveis.
.
O consórcio força a criação do hábito de reservar parte da renda mensal. Ele antecipa o planejamento e reduz a dependência de crédito caro para cumprir metas futuras. Do ponto de vista financeiro, é uma forma de blindagem contra meses críticos como janeiro, avalia o economista. Além de evitar juros compostos, o mecanismo ajuda a programar compras e estruturar reservas ao longo do ano.
.
Olhar estratégico para 2026
Projeções do Boletim Focus indicam inflação moderada e expectativa de alívio gradual da taxa de juros em 2026. Para os especialistas, comerciantes e consumidores que encerram 2025 com o orçamento organizado tendem a enfrentar o início do próximo ano com mais tranquilidade.
.
Janeiro é pesado todos os anos. A diferença está em transformar previsibilidade em segurança financeira, resume Baldez.
.
Cinco dicas práticas para começar agora
.
Revisar contratos e despesas recorrentes
Renegociar serviços e cortar gastos desnecessários abre espaço no orçamento antes da virada do ano.Aproveitar mutirões de renegociação
Regularizar dívidas ainda em 2025 melhora a previsibilidade financeira e as condições de crédito.Planejar compras escolares com antecedência
Comparar preços e antecipar itens básicos reduz o pico de despesas em janeiro.Criar uma reserva emergencial, mesmo que pequena
Valores modestos já ajudam a amortecer o impacto dos tributos sazonais.Usar o consórcio como ferramenta de organização
Alternativa para desenvolver disciplina financeira, planejar compras sem juros e criar reserva de forma estruturada.
.
Para lojistas e comerciantes, a mensagem é clara: janeiro não é surpresa. Antecipar decisões e organizar o caixa ainda em 2025 pode ser o diferencial entre começar o ano no aperto ou com mais estabilidade para atravessar o primeiro trimestre.





