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Comércio brasileiro desacelera em 2025, mas mantém papel estratégico na economia

Dados do IBGE mostram crescimento modesto no varejo ampliado e apontam juros elevados e inadimplência como principais fatores de impacto

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Os números consolidados de 2025 confirmam um cenário que já vinha sendo sinalizado ao longo do ano: o comércio brasileiro perdeu ritmo. Dados divulgados pelo IBGE apontam que o varejo ampliado, que inclui veículos e materiais de construção, registrou crescimento de apenas 0,1% no ano passado, após avançar 3,7% em 2024. Já o varejo restrito (que foca em produtos essenciais como supermercados, alimentos, tecidos, vestuário, calçados e combustíveis), teve alta de 1,6%, também abaixo do desempenho observado no período anterior.

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A desaceleração reflete um ambiente econômico marcado por juros elevados, crédito mais caro, menor confiança do consumidor e aumento da inadimplência das famílias. Ainda assim, o setor mantém relevância estrutural na economia, tanto na geração de empregos quanto na participação no Produto Interno Bruto (PIB).

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Juros altos reduziram o ritmo das vendas

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Ao longo de 2025, os indicadores mensais já apontavam perda de fôlego, especialmente em segmentos mais dependentes de financiamento. O ciclo de alta da taxa Selic elevou o custo do crédito e reduziu o ímpeto de consumo de bens de maior valor.

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O aumento do endividamento e da inadimplência também pressionou o orçamento das famílias, exigindo maior cautela nas decisões de compra. O resultado foi um crescimento praticamente estagnado no varejo ampliado, interrompendo a trajetória mais robusta registrada em 2024.

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Mercado de trabalho traz contraponto positivo

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Apesar da desaceleração nas vendas, o mercado de trabalho apresentou dados mais favoráveis. A taxa de desemprego encerrou o quarto trimestre de 2025 em 5,1%, uma das menores da série histórica recente, enquanto a renda média real avançou 5% no ano.

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Segundo o CAGED, foram abertas 1,28 milhão de vagas formais em 2025. O comércio respondeu por 247 mil novos postos, ficando atrás apenas do setor de serviços. Ainda assim, o ritmo de criação de vagas perdeu força em comparação a períodos anteriores, indicando um cenário de estabilidade, mas com menor dinamismo.

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Crédito avança, mas encontra limites

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O saldo das operações de crédito seguiu crescendo ao longo do ano, porém o aumento do comprometimento da renda das famílias impõe restrições à expansão. O limite não está apenas na oferta, mas na capacidade de pagamento do consumidor. Para o varejo, o momento exige maior rigor na concessão de crédito, monitoramento da inadimplência e estratégias comerciais focadas em liquidez e giro de estoque.

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Expectativa de queda da Selic pode marcar novo ciclo

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Um sinal relevante veio da ata mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom). Em janeiro, a Selic foi mantida em 15% ao ano, mas houve indicação clara de possível redução da taxa já na reunião de março. Caso confirmada, a queda dos juros pode representar um ponto de inflexão importante para o comércio em 2026. A redução do custo do crédito tende a estimular financiamentos, aliviar o orçamento das famílias e favorecer uma retomada mais consistente do varejo ampliado.

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O que o empresário deve observar

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  • O crescimento de 2025 foi modesto, mas não indica retração estrutural do setor.

  • O mercado de trabalho segue sustentando renda, mesmo com menor dinamismo.

  • O crédito cresce, porém enfrenta limite no endividamento das famílias.

  • A possível queda da Selic pode abrir espaço para recuperação do consumo ao longo de 2026.